Nike perde 35% de valor e fica só US$ 100 milhões à frente da Zara no ranking da Interbrand 2026
O Best Global Brands 2026 mostra Zara e Uniqlo em alta e Nike, H&M e Gucci em queda. Sete das onze marcas de moda da lista perderam valor, mesmo com o ranking inteiro subindo 8,1%.
31/10/2026 09h00 · 31 de outubro de 2026
A Nike perdeu 35% do valor de marca em um ano e aparece na 32ª posição do Best Global Brands 2026, ranking da Interbrand divulgado na quarta-feira, dia 28, com a marca avaliada em US$ 21,7 bilhões. Logo abaixo, em 33º, está a Zara, com US$ 21,6 bilhões depois de uma alta de 11%. Cem milhões de dólares separam as duas, numa lista que conta em dezenas de bilhões. O primeiro lugar continua com a Apple, avaliada em US$ 514,6 bilhões.
No mesmo dia, a Fast Retailing, dona da Uniqlo, soltou um comunicado comemorando a posição da marca, e no dia 29 o GBLJeans publicou um resumo só com as marcas de moda. Nos pontos em que as fontes não coincidem, esta reportagem segue os números da página da Interbrand e da própria empresa.
Sete das onze marcas de moda perderam valor
Somadas, as 100 marcas da lista valem US$ 3,87 trilhões, 8,1% a mais que em 2025. Na moda, mais marcas caíram do que subiram:
Continua depois da publicidade
- Hermès: 15ª posição, US$ 45,2 bilhões, alta de 11%. Passou a Louis Vuitton e virou a marca de luxo de moda mais valiosa do ranking.
- Louis Vuitton: 16ª, US$ 45,1 bilhões, queda de 7%.
- Chanel: 24ª, US$ 32,9 bilhões, alta de 8%.
- Nike: 32ª, US$ 21,7 bilhões, queda de 35%.
- Zara: 33ª, US$ 21,6 bilhões, alta de 11%.
- Uniqlo: 38ª, US$ 20,5 bilhões, alta de 16%.
- Adidas: 56ª, US$ 16,1 bilhões, queda de 8%.
- H&M: 80ª, US$ 10,4 bilhões, queda de 12%.
- Dior: 85ª, US$ 8,9 bilhões, queda de 5%.
- Gucci: 93ª, US$ 8,1 bilhões, queda de 31%.
- Prada: 96ª, US$ 7,6 bilhões, queda de 15%.
As duas redes de fast fashion que subiram, Zara e Uniqlo, ficaram praticamente coladas na Nike.
Os critérios que a Interbrand usa
Segundo a Fast Retailing, que explicou a metodologia no comunicado, a Interbrand avalia o desempenho financeiro da empresa, o papel que a marca tem na decisão de compra e a força da marca. A própria Interbrand resumiu o relatório deste ano como uma distância cada vez maior entre as marcas que conseguem transformar relevância, confiança e diferença em crescimento e as que não conseguem.
Para marcas pequenas, o critério do meio é o mais fácil de transpor. O papel da marca na decisão de compra mede, na prática, quanto da venda acontece por causa daquela marca e quanto acontece porque o preço estava bom, o anúncio apareceu na hora certa ou o frete era grátis. Uma marca que fatura R$ 2 milhões por ano também tem esse número, embora quase nenhuma o meça.
Uniqlo sobe nove posições vendendo camiseta e calça
A Uniqlo estreou no ranking no ano passado, na 47ª posição, com US$ 17,7 bilhões, e agora ocupa o 38º lugar, com US$ 20,5 bilhões. No comunicado, a empresa informa que o lucro líquido da Fast Retailing cresceu 25,3% no ano fiscal de 2026 e que a marca, que abriu a primeira loja em Hiroshima em 1984, tem hoje cerca de 2.500 lojas em 26 países e regiões. O executivo Koji Yanai voltou a falar em LifeWear, a ideia de roupa feita para ser usada por anos.
O catálogo da Uniqlo reúne as peças menos chamativas de um guarda-roupa, como camiseta, calça, fleece e jaqueta leve, e mesmo assim o valor da marca cresce mais rápido que o de grifes. Uma explicação possível está na previsibilidade, porque a cliente sabe exatamente o que vai receber e compra a segunda e a terceira peça sem precisar de cupom, já que confia no tecido e no caimento.
O ranking não explica as quedas de Nike, H&M e Gucci
A página da Interbrand traz os números, mas não detalha o motivo de cada queda, e o resumo do GBLJeans também não. O levantamento, portanto, não permite afirmar o que aconteceu dentro da Nike ou da Gucci para justificar perdas de 35% e 31%.
Black Friday põe à prova o papel da marca
A Black Friday cai em 27 de novembro, e a maioria das marcas decide agora se vai entrar com 40% de desconto em tudo. A pressão do caixa explica a escolha, e a data também é a que mostra com mais clareza quanto da venda depende de cupom. Cinco levantamentos ajudam a medir isso antes de fechar a campanha:
- Busca pelo nome da marca. No Search Console, ou no relatório de termos de pesquisa da campanha de marca no Google Ads, a comparação é entre os últimos 12 meses e o ano anterior. Uma queda nesse número aponta o primeiro problema a ser atacado depois da Black Friday.
- Venda que chega pelo nome. No GA4, dá para separar o que veio de tráfego direto, orgânico e busca de marca do que veio de anúncio para público frio. É uma medida caseira do papel da marca na decisão de compra.
- Venda a preço cheio. A soma do faturamento dos últimos 90 dias que saiu sem cupom e sem remarcação. Se a fatia for pequena, a venda depende mais do desconto do que do nome da marca.
- Recompra em seis meses. Quantas clientes que compraram em abril voltaram até outubro. O número indica se a cliente lembra da marca sem precisar ver um anúncio.
- A peça que fica de fora. A peça-assinatura pode ficar fora do desconto agressivo ou ganhar um benefício diferente, como kit ou brinde. Ela cumpre na marca o papel que o LifeWear tem na Uniqlo, e se entrar com 40% em novembro fica difícil vendê-la a preço cheio depois.
Dos cinco, a busca pelo nome da marca é o mais rápido de levantar, em cerca de dez minutos. Com o número em alta, há mais segurança para segurar o desconto. Em queda, a definição da porcentagem pode esperar até que fique claro por que menos gente está procurando a marca pelo nome.
Publicidade
Fontes: Interbrand, Best Global Brands 2026 28/10/2026 · Fast Retailing, comunicado de 28/10/2026 sobre a Uniqlo no ranking · GBLJeans, 29/10/2026, Jussara Maturo, "Zara e Uniqlo avançam em valor de marca e H&M cai"