Azzas 2154 acumula queda de 62% na bolsa dois anos depois da fusão entre Arezzo e Soma
O grupo vale R$ 3,54 bilhões, menos da metade do patrimônio estimado, depois da disputa entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy e da sondagem para vender a Farm Rio.
28/10/2026 08h00 · 28 de outubro de 2026
As ações da Azzas 2154 acumulam queda de 62% desde a fusão entre Arezzo e Grupo Soma, em 2024, segundo levantamento da Eylos Alta. O grupo, que reúne Arezzo, Schutz, Farm, Animale, Hering e uma prateleira inteira de outras marcas, vale hoje R$ 3,54 bilhões na bolsa, menos da metade do patrimônio estimado, que passa de R$ 8 bilhões.
A fusão juntava calçado com vestuário e masculino com feminino no maior portfólio de marcas de moda da América Latina, com economia de estrutura e mais força para negociar com shopping e fornecedor.
O choque entre Birman e Jatahy
Com a Farm ainda desejada no Brasil e no exterior e a Arezzo forte em calçado, o que travou o grupo foi a convivência entre os fundadores.
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Alexandre Birman construiu a Arezzo num modelo centralizado e executivo, em que o dono decide. Roberto Jatahy montou a Soma dando autonomia a estilistas e fundadores para tocar cada marca quase como donos. Os dois modelos funcionavam nas empresas de origem, mas na fusão o de Birman se sobrepôs e a cultura da Soma começou a ranger. A diferença de estilo de gestão virou crise aberta, com ação judicial movida por Jatahy e o conselho costurando um acordo às pressas. Em maio de 2026, um armistício manteve Birman como CEO e Jatahy à frente da unidade feminina por mais dois anos.
Em meio à crise, o grupo descontinuou quatro marcas (Alme, Dzarm, Reversa e Simples), que juntas faturavam R$ 411 milhões, e contratou o Morgan Stanley para sondar a venda da Farm Rio, com pedida na casa de US$ 1 bilhão. Quando o boato da venda vazou, a ação subiu. A reação do investidor à chance de o grupo vender a sua melhor marca indica pouca confiança no conglomerado.
Quem decide quando os sócios discordam
Na Azzas a conta da sinergia fechava, mas ninguém resolveu antes quem mandaria quando os dois fundadores discordassem. Em marcas pequenas o problema costuma aparecer quando o sócio entra pelos números e a convivência no dia a dia não se sustenta.
Para quem monta sociedade, traz sócio investidor ou funde operação com outra empresa, o caso reforça a necessidade de resolver no papel, antes de assinar, as perguntas incômodas: quem dá a palavra final no produto e no dinheiro, o que acontece se um quiser vender e o outro não, e qual é o rito de saída. A Azzas tinha advogados de sobra e mesmo assim a disputa foi parar na Justiça, o que torna o caso um alerta para sociedades fechadas no aperto de mão.
O corte de marcas também expõe o peso do portfólio. O grupo nasceu com dezenas de marcas e dois anos depois está enxugando, porque cada marca a mais tira atenção e verba das outras. Em marcas pequenas a tentação é parecida, e a segunda marca, a linha infantil ou a linha fitness quase sempre chegam antes de a primeira estar redonda.
Farm, Hering e o prazo de 2028
O futuro do grupo passa por três frentes:
- A venda da Farm Rio. Se sair perto do US$ 1 bilhão pedido, o grupo ganha caixa e foco, e a Farm sozinha terá valido mais do que a bolsa paga hoje pelo grupo inteiro.
- O destino da Hering, máquina de volume do grupo e teste real de sinergia entre as duas culturas.
- O mandato do armistício. O acordo entre Birman e Jatahy vale por dois anos, e em 2028 os dois terão de decidir de novo se continuam juntos.
O setor não explica sozinho a queda. No mesmo pregão em que a Azzas recuava, Vivara e Alpargatas subiam depois de apresentar resultados bons.
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Fontes: Times Brasil — Azzas 2154 perdeu 62% do valor na bolsa em dois anos e mira venda da Farm Rio · Mercado&Consumo — Ação judicial de Jatahy aprofunda crise societária na Azzas 2154 · InfoMoney — A reação das varejistas ao 2º tri